Maioria das adolescentes portuguesas usa filtros e isso está a afetar-lhes a auto-estima

76% DAS RAPARIGAS COM 13 ANOS RECORREM A FILTROS PARA MUDAR A SUA APARÊNCIA

Jéssica Santos


Crescer com redes sociais tem o seu lado bom e menos bom. Há sempre uma tendência para filtrar a realidade, mostrar apenas o lado mais belo, o ângulo mais favorável e as edições permitem criar o que não existe. Por isso, a procura pela imagem perfeita é cada vez maior e está a fragilizar a auto-estima das adolescentes, segundo um estudo feito pela Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial.


Esta busca pela perfeição tem levado a um aumento de cirurgias plásticas e até já existe um transtorno psicológico associado a este problema, que nasceu por causa das redes sociais: “Dismorfia do Snapchat”.

Há cada vez mais jovens no mundo que sofrem deste transtorno, por influência das redes sociais, e que as leva a realizarem cirurgias plásticas para ficarem como aparecem nas selfies em que usam filtros que mudam a aparência.



Por cá, foi realizado um inquérito online a 510 raparigas portuguesas, dos 10 aos 17 anos. 76% das raparigas com 13 anos admitiram usar filtros ou recorrer a aplicações para mudar a sua aparência nas fotografias; do total, metade das jovens portuguesas diz que deseja sentir-se mais autoconfiante; e sete em cada dez afirmam que gostavam de ter mais orgulho no seu corpo.


41% das jovens afirmam que não conseguem ser elas mesmas e 25% lamenta que, na vida real, não possa assemelhar-se à pessoa que mostra online.

86% afirmam que publicam selfies para receberem comentários e likes.

Este estudo surge também numa altura em que, por causa da pandemia, muitos jovens se viram confinados em casa e por isso aumentaram o tempo que passam nas redes sociais.

Crescer com redes sociais pode ser um desafio acrescido. Todos os que já passaram pela adolescência sabem o quão desafiante é esse período na vida, e como põe à prova a auto-estima de cada um. E viver isso com filtros que manipulam a realidade pode tornar-se num problema.

Para a psicóloga Filipa Jardim da Silva, citada pela Lusa, o caminho faz-se valorizando a unicidade de cada um e deixar de vez as “comparações injustas”.


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