Duas histórias emocionantes e de superação de atletas paralímpicos

BEATRICE DE LAVALETTE E ABBAS KARIMI SÃO EXEMPLO DE SUPERAÇÃO E DE FOCO. TORNARAM AS SUAS CONDIÇÕES FÍSICAS NUMA MAIS-VALIA NO DESPORTO

Jéssica Santos


De um campo de refugiados e de um ataque suicida no aeroporto de Bruxelas para os Jogos Paralímpicos. Estas são histórias de dois atletas que foram desafiados pela vida e se superaram. Estão hoje nos Jogos Paralímpicos a superarem-se e a mostrar que tudo é possível.


No dia 22 de março, Beatrice de Lavalette, na altura com 17 anos, estava no aeroporto de Bruxelas pronta para apanhar um voo de regresso aos Estados Unidos. A única coisa que se lembra é de ver tudo escuro e de ser erguida do chão. Beatrice de Lavalette estava ao lado de um homem-bomba e foi uma das 300 pessoas que ficaram feridas nos dois ataques suicidas no Aeroporto de Zaventem.

Rapidamente, Beatrice de Lavalette apercebeu-se do que se tinha passado. “Não posso acreditar que isso acabou de acontecer”, foi a primeira coisa que pensou, segundo conta à CNN.

Beatrice de Lavalette ficou com ferimentos que mudaram a sua vida para sempre. Ficou com queimaduras de segundo e terceiro grau, uma lesão na medula espinhal e as suas pernas foram amputadas. O desporto foi uma mais valia na sua recuperação. A atleta anda a cavalo desde os três anos e voltar a montar foi um grande desafio que conseguiu superar. Subir para cima do cavalo e tentar equilibrar-se sem as duas pernas não foi fácil, mas hoje Beatrice está nos Jogos Paralímpicos.



Abbas Karimi não sabe o que é ter os dois braços desde nascença. De pequeno teve de se adaptar à sua condição, mas não foi por isso que teve de enfrentar menos desafios. Desde cedo desenvolveu uma grande paixão pela natação. Na água sentia-se seguro e livre.

Natural do Afeganistão, Karimi conviveu sempre de perto com a guerra e a natação era o seu escape. O seu grande sonho era poder treinar para competições internacionais sem medo de guerras e de terrorismo. Aos 16 anos, fugiu do Afeganistão com a ajuda do irmão mais velho. Chegou ao Irão e manteve-se em contacto com um grupo de refugiados que estavam a viajar para a Turquia. Ao longo de três dias e noites, caminharam e viajaram em camiões para atravessar montanhas e chegar à fronteira.


Na Turquia, esteve em quatro campos de refugiados diferentes, quase um por ano. A natação nunca saiu da sua cabeça e a possibilidade de retomar este sonho noutro país também não. Mesmo a viver em campos de refugiados, procurou sempre pelas piscinas mais perto para treinar. Nesta altura, um dos seus treinadores propôs-lhe um novo estilo de natação: mariposa.

“É uma das braçadas mais difíceis da natação, mas era a única maneira de nadar mais rápido e de me tornar campeão”, recorda ao New York Times.

O entusiasmo e o foco, levou Karimi a pedir ajuda no Facebook para chegar aos Jogos Paralímpicos. Foi assim que conheceu Mike Ives, um treinador de futebol aposentado em Portland, Oregon, que conseguiu levá-lo para os Estados Unidos, em 2016.

Lá foi o início do sonho. Teve pessoas que viram o seu talento e que apostaram nele. Começou a participar em competições, a trazer medalhas para casa e foi também naquele país que começou o caminho para os Jogos Paralímpicos.

Este ano, o sonho tornou-se realidade!


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