A história inspiradora de Nadia Ghulam: fingiu ser um homem para sobreviver aos talibãs

DURANTE 10 ANOS, NADIA GHULAM FINGIU SER O IRMÃO FALECIDO PARA AJUDAR A FAMÍLIA E SOBREVIVER AOS TALIBÃS

Jéssica Santos


O regresso dos talibãs ao poder, ao fim de 20 anos, é um reavivar de alguns traumas para os afegãos que conseguiram fugir do país, no passado. Nadia Ghulam tem marcas físicas e psicológicas da guerra. Hoje, com 36 anos, é uma sobrevivente dos talibãs, graças a uma mentira.

Vive em Barcelona, há 15 anos, e conquistou o que sempre desejou – e que outros tantos afegãos buscam atualmente – a liberdade.

A vida de Nadia Ghulam está agora retratada num livro, “O segredo do meu turbante”.


Nadia Ghulam tinha oito anos quando viu a sua casa bombardeada pelos talibãs. O irmão morreu, o pai ficou com perturbações mentais, a mãe ficou numa cadeira de rodas e Nadia com ferimentos graves.
Ficou impedida de ser cuidada por médicos, de estudar e de trabalhar por ser mulher. Para cuidar da família e da casa teve de se disfarçar de homem. Uma decisão arriscada, perigosa, mas necessária. Com sorte e muito esforço, Nadia conseguiu escapar sempre.




Durante 10 anos conseguiu comportar-se como os rapazes, falar como os rapazes e vestir-se como os rapazes. Fingiu ser Zelmai, o irmão falecido, para salvar a sua família durante a guerra civil no Afeganistão. "Era a única forma de sobreviver (...) Se eu queria a minha liberdade, tinha que fazer isso", contou, em entrevista, à France24.

Em 2006, foi ajudada por uma ONG e conseguiu sair do país para Barcelona, onde vive atualmente, e foi submetida a uma cirurgia para reconstruir o seu rosto.


A história de Nadia é inspiradora.

Viveu as consequências de uma guerra civil, passou fome, perdeu parte da infância, adolescência, mas conseguiu o que tanto desejou: a liberdade e uma vida em segurança.


  • Partilha:

Top