Portugal é um dos países europeus onde mais se recorre a “cunhas”

UM ESTUDO DA TRANSPARENCY INTERNATIONAL REVELOU QUE PORTUGAL É O 2.º PAÍS DA EUROPA ONDE MAIS SE UTILIZAM AS "CUNHAS"


Sabemos que, no dia a dia, as cunhas são muito utilizadas, no nosso país. Em muitos casos, uma pessoa pede um favor a outra ou recomenda uma pessoa influente para algum cargo ou serviço.


Quem o afirma é um estudo da organização sem fins lucrativos Transparency International, que concluiu que Portugal é o 2.º país da União Europeia onde mais se recorre a cunhas.


Trata-se de um dos maiores e mais detalhados inquéritos sobre as opiniões das pessoas sobre corrupção e experiências de suborno nos 27 países da União Europeia. Foram realizados inquéritos a mais de 40 mil pessoas no espaço comum europeu, entre outubro e dezembro de 2020.


Na Europa Ocidental, os subornos são menos frequentes, mas, em contrapartida, as cunhas têm sido cada vez mais utilizadas nos acessos aos serviços públicos, em Portugal.


A par do nosso país neste estudo, só a República Checa o ultrapassa, ocupando o 1.º lugar do pódio.


No mesmo lugar de Portugal, encontra-se também França, onde existe a mesma percentagem de pessoas que já utilizou cunhas para ter acesso a serviços públicos (48%).



As conclusões resultaram de fatores culturais, de processos de controlo pouco eficazes e da ineficiência dos serviços públicos.


Já do lado oposto da tabela, encontra-se a Estónia, o país da União Europeia que utiliza menos cunhas (12%) e onde o suborno é menos frequente nos serviços públicos (2%).


Para este resultado, o estudo concluiu que os principais fatores são a elevada digitalização dos seus serviços públicos (cerca de 99%), e, por consequente, a reduzida interação humana, além de acelerar os processos, reduz as oportunidades de corrupção.


O Global Corruption Barometer, divulgado pela Transparency International, recentemente, revelou que quase dois terços das pessoas na União Europeia acredita que a corrupção governamental é um problema no seu país e Portugal não é exceção! Num inquérito a mais de 40 mil pessoas no espaço comum europeu, cerca de 27% dos portugueses inquiridos responderam e, a par das cunhas, afirmaram que a maioria dos deputados são corruptos ou facilitadores da corrupção.


Este relatório contém recomendações detalhadas, bem como uma análise detalhada por país dos resultados de cada Estado-membro. Estes resultados serão discutidos num evento online, esta terça-feira, a partir das 14 horas. Inscrições aqui.


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