As críticas começaram assim que a Netflix disponibilizou o trailer do documentário “Cleópatra”, em abril, ao ponto de a própria plataforma ter desativado os comentários dada a negatividade das críticas. “Factos falsos” é o principal tom dos muitos comentários.


O documentário em questão pretende contar a história da famosa rainha Cleópatra. É realizado por Jada Pinkett Smith, mulher de Will Smith, e tem a intervenção de vários especialistas na área da história e da investigação que, com os seus testemunhos, vão entregando depoimentos, alternados com encenações de vários momentos e acontecimentos do percurso da famosa rainha Cleópatra do Egito, desde o momento em que sucedeu ao pai.

Neste documentário, Cleópatra é retratada como uma mulher negra, representada pela atriz Adele James, e é neste ponto que as opiniões de especialistas em história divergem. Também no Egipto as apreciações ao documentário estão a dar que falar.

"Imprecisões históricas grosseiras e um flagrante ataque à herança civilizacional e cultural do Egito" é um dos pontos que constam da ação posta pelo advogado Amr Abdel Salam, como veremos à frente.


Uma outra opinião vem do ex-ministro egípcio Zahi Hawass que disse, a propósito do documentário: “Isto é completamente falso. Cleópatra era grega” e acrescenta "A rainha Cleópatra, a última governante da dinastia ptolemaica, nasceu em 69 aC e morreu em 30 aC em Alexandria."

Diz ainda que “a civilização negra não tem ligação com a civilização egípcia”, “não governou o Egito, exceto na 24ª dinastia, durante a era do reino de Kush, ou seja, no final da antiga civilização egípcia”. Hawass diz ainda, segundo o Egypt Idependent, que “nos últimos anos surgiu uma tendência que afirma que a civilização egípcia é de origem negra.”




Também o advogado Amr Abdel Salam entrou com uma ação em tribunal para a imediata retirada do documentário sobre a famosa rainha egípcia. Exige ainda que a plataforma de streaming pague uma compensação financeira ao Egito pelos danos “materiais e morais sofridos com este documentário”.


Esta ação interposta pelo advogado, referida pelo Egypt Idependent, declara que “as autoridades egípcias são obrigadas, de acordo com o Artigo 50 da Constituição, a preservar o seu património cultural de todas as formas possíveis por meios diplomáticos, dirigindo-se a organizações internacionais preocupadas com a preservação do património cultural e tomando medidas judiciais internacionais e regionais para impedir o ataque cultural que está a ocorrer contra o Egito e investigar os seus perpetradores. O filme contém imprecisões históricas grosseiras e constitui um flagrante ataque à herança civilizacional e cultural do Egito.”


Também o jornalista egípcio Bassem Youssef criticou o documentário “rainha Cleópatra”, afirmando que é uma “falsificação histórica” e acrescenta “estão a roubar a minha cultura.”





(Imagens: Youtube)