A Madeira de... Rodrigo Gomes

Este é o ano de ir à Madeira. E eu fui.

Eu já conhecia a Madeira e já me tinha deixado apaixonar pela ilha, mas mais do que regressar, eu tinha ficado com muita vontade de poder lá voltar com a minha família. Para além de que, os miúdos nunca tinham andado de avião e a primeira vez tinha de ser à Madeira. Primeiro porque o mais novo se chama Tristão, como Tristão Vaz Teixeira, um dos descobridores da Madeira e depois porque o mais velho é craque da bola e ultra fã do Cristiano Ronaldo. Quando lhe disse que íamos ao museu do CR7, acho que nem conseguiu dormir descansado, tal era o entusiasmo.

Mal entrámos no avião, o Tristão, de 3 anos, embirrou que queria falar com o comandante e barafustou alto o suficiente ao ponto do simpatiquíssimo chefe de tripulação da TAP achar que o melhor era levar o Tristão até ao comandante. “Senhor, eu quero ir para a Madeira.” Disse o Tristão com a sua voz esganiçada ao comandante, fazendo rir todas as pessoas que estavam na classe executiva. Pagaram bilhete mais caro mas tiveram direito a espetáculo do meu filho.
Fomos a uma sexta de manhã e voltámos no Domingo ao final da tarde, o que é um horário ótimo para aproveitar bem um fim de semana cheio de atividades. Mal se chega ao Funchal, é-se logo recebido com uma banquinha que tem queijadas e bolo do caco… ora, há quem diga que “grátis até aceitamos injeções na testa”, por isso começamos logo a comer. E acreditem, comer foi das coisas que mais fizemos nesta viagem... Depois da foto obrigatória com o busto do Cristiano, arrancamos para o hotel, deixámos as malas e fomos diretos para a marina apanhar um catamarã para ir ver os golfinhos. Nestes casos, eu gosto sempre de me colocar do lado dos animais e imagino que há uma empresa de golfinhos que vende viagens aos outros golfinhos para ir ver os seres humanos que costumam aparecer aquela hora, num barco, em determinada zona do mar. E tiveram sorte, os golfinhos. Não estava muito calor, mas a beleza da Madeira é à prova de qualquer condição meteorológica e os seres humanos lá apareceram para alegria dos golfinhos que até deram saltos só de nos ver.

O passeio de Catamarã demora umas horas e, para além de maravilhoso, é totalmente seguro. Acreditem que a minha mulher estava com medo de levar uma criança de 3 anos para o mar mas correu tudo bem. No passeio, temos uma vista deslumbrante da costa do Funchal e, como se isso não bastasse, nesse dia, até um arco-íris apareceu. No fundo, o arco-íris quer dizer que choveu e andar no mar à chuva ajuda-nos a dar ainda mais valor aos bravos navegadores portugueses que se aventuraram por esse mar fora. Por mim não ia dar, “é que eu tenho uma consulta agora às 5” e teria de abandonar. Mas já não vivemos na altura dos descobrimentos e escusado será dizer que os miúdos adoraram a experiência e vibraram com os golfinhos.

A seguir ao passeio de barco, chegou a parte preferida da minha mulher. A hora em que fomos jantar. Ela comeu um risotto de polvo, camarão e speck (presunto fumado) no restaurante italiano Il Basílico. Diz ela que foi o melhor risotto que já comeu na vida. Depois claro… a sobremesa. Coisa de que nunca prescindiu em toda a viagem embora se queixasse que não o deveria ter feito, após todas as vezes que o fez.

Acabámos por ir dormir cedo porque quisemos mesmo aproveitar a ilha ao máximo e, no outro dia, às 9 da manhã, já estávamos de banho tomado e sentados ao pequeno-almoço do hotel onde ficámos, o Porto Mare. Quem me dera acordar todos os dias para aquele pequeno-almoço… Mas bom, a primeira visita, no sábado de manhã, foi a pensar no meu mais velho. Arrancámos diretos ao museu do CR7 e é provável que o Bernardo tenha preenchido a memória toda do telemóvel em fotografias aos milhares de troféus que o Cristiano tem no museu. E depois, claro! Foto com a estátua mais famosa do mundo com o Funchal de pano de fundo.

Tínhamos um carro alugado e a ideia era, depois do museu, arrancar até à praia do Seixal para uma aula de Stand Up Paddle. A ideia era boa mas quando lá chegámos, algum frio e chuva desencorajaram-nos a ir para dentro de água, especialmente porque levávamos os miúdos. Mas desengane-se quem acha que a viagem até à praia do Seixal foi em vão. Basicamente, todos os cantos da Madeira são um postal pelo que a viagem vale só por si. As paisagens são incrivelmente fascinantes e ricas. A vegetação é tão densa e as montanhas tão mágicas que parece que a qualquer momento estamos a entrar no filme do Jurassic Park.

Depois da visita à praia do Seixal, uma das praias de areia da Madeira, partimos em direção a mais um pedaço de céu na terra. As Piscinas naturais de Porto Moniz. Almoçámos no restaurante do hotel Aquanatura, em Porto Moniz, que tem janelas diretas para as piscinas e para o mar e ficámos ali a ver as ondas rebentar nas rochas enquanto comíamos umas magnificas lapas e uns bifes de atum mal passados. Como é óbvio, a minha mulher voltou a pedir sobremesa e, desta vez, foi um creme brulée de maracujá com frutos vermelhos caramelizados. Sim. Sabe tão bem como soa.

É relativamente fácil conduzir na ilha e é tudo perto. Em 40 minutos, no máximo, estamos em qualquer lado. E depois de já termos enchido a vista com a praia do Seixal e as piscinas de Porto Moniz, eis que partimos rumo à Ponta do Sol. Há quem não acredite em magia, mas ela existe e mora aqui. Subimos até à estalagem da Porta do Sol para ver o pôr do sol e para jantar e claro… mais uma sobremesa… desta vez foi Banana caramelizada em cima de bolo de mel com bola de gelado de vinho da Madeira. MEU DEUS. ALGUÉM ME AJUDE A PARAR DE COMER. É que a minha mulher não só não me ajuda como ainda me encoraja a comer mais.

A seguir ao jantar, fomos para a cama porque domingo era dia de voltar a acordar cedo para continuar a desbravar caminho! Às 9 da manhã tínhamos um jipe da empresa Discovery Island à nossa espera. O Nuno, guia da Discovery Island, levou-nos até ao majestoso pico do Areeiro, passámos pelo Terreiro da Luta. Fizemos o percurso entre a Cova da Roda e o Pico das Pedras. Andámos por caminhos que nunca sonhámos existir, muito menos que desse para andar lá de carro.

Eu estava um bocado surpreendido com a paciência dos miúdos para passear tanto, eles iam dormindo nas viagens de carro e, entre birras e picardias entre irmãos (daquelas que fazem os pais perder a cabeça) no geral, eles estavam bastante entusiasmados e contentes por estar só a passear e a ver o que a Madeira lhes tinha para mostrar. O Bernardo chegou a dizer: “nunca imaginei que andar o dia todo de carro pudesse ser tão divertido”.

Como tínhamos de estar no aeroporto, para regressar a Lisboa, às 17:30, apressámo-nos para fazer a paragem obrigatória nas casas típicas de Santana que parecem mesmo ter saído de um livro de banda desenhada, e seguimos para almoçar na Quinta do Furão, onde mais um vez tivemos uma refeição com uma vista de faltar o ar. A sério, estas paisagens são de cortar a respiração! Cheguei a sentir que nunca tinha feito nada na vida que me fizesse merecer ver o que eu estava a ver. Ah, e escusado será dizer que voltámos a pedir sobremesa.

Depois do almoço, fomos até Porto da Cruz ver o único engenho de Cana do Açúcar da Europa que ainda funciona a vapor. Vimos toneladas de cana de açúcar a ser triturada e disparada para fermentar e fazer a famosa aguardente de cana, ou rum agrícola. Eu que sou fã de rum fiquei a olhar para aquilo como uma criança a olhar para uma playstation nova e obviamente que trouxe uma garrafa de rum para casa.

O que seria de uma visita à Madeira sem beber uma poncha e foi mesmo isso que fomos fazer! Beber uma deliciosa poncha feita mesmo à nossa frente porque é assim que a poncha deve ser servida e bebida. Acabadinha de fazer!
Para finalizar a nossa viagem, o nosso guia de domingo, o Nuno, fez questão de nos levar à Ponta do Rosto. Uma zona da ilha onde se pode ver ao mesmo tempo, a costa norte e a costa sul da Madeira. Uma perdição como podem ver pelas fotos.


Antes de ir embora, uma borboleta madeirense ainda me concedeu a gentileza de me deixa tirar-lhe uma foto de perto sem que levantasse vôo. Uma foto digna de fundo de ecrã do telemóvel ou ambiente de trabalho do computador. É assim que nos recebem na Madeira, até as borboletas. Ficámos todos com vontade de regressar!

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