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Então, qual foi o rei português mais mulherengo?

Ana Margarida Oliveira


Bom… mulherengos houve alguns, muitos até, porém com mais mulheres de papel passado, houve um que se destacou de todos os outros. Não se destacou apenas pelo número de casamentos mas também pelas mulheres que tomou por esposas.


Foi ele D. Manuel I, nasceu em Alcochete e casou-se 3 vezes. Com estes 3 matrimónios está no pódio dos monarcas portugueses que se casou mais vezes oficialmente. Há que dizer que D. Filipe I se casou 4 vezes, mas não era português, era espanhol, apesar de ter sido rei de Portugal, quando perdemos a independência em 1580.


Agora, que mulheres foram as de D. Manuel I é também bastante peculiar já que este rei português se casou com a mulher do primo, depois com a irmã desta, sua cunhada, e ainda com a noiva do seu próprio filho.


Mergulhemos, ao de leve na História, só para perceber como é que lhe foram parar ao altar estas mulheres.


D. Manuel subiu ao trono não por sucessão direta, como era natural, mas por indicação, em testamento, do rei que o antecedeu, D. João II, seu primo direito. Assumiu, assim, sem lhe estar destinada, a coroa de Portugal e casou-se imediatamente com a mulher viúva do verdadeiro príncipe herdeiro, D. Afonso (filho do rei D. João II), que morreu na sequência de uma queda de cavalo, em Santarém.


Casou-se, então, com a jovem viúva, mulher do primo, que ia ser rei mas não foi pela já referida morte precoce no dito acidente.
Esta sua primeira mulher, D. Isabel de Castela, filha dos Reis Católicos de Castela e Aragão, morreu de parto, em 1498, em Saragoça, onde D. Manuel logo a enterrou e onde deixou o bebé recém-nascido ao cuidado dos avós, os reis católicos, vindo esta criança também a falecer pouco tempo depois.


Porque tinha muita vontade em unir os reinos casou-se, pela segunda vez, em 1500, em Alcácer do Sal, com a sua própria cunhada D. Maria de Aragão e Castela, irmã da falecida D. Isabel.
Tiveram 10 filhos e D. Maria morreu em 1517.


A sucessão de Portugal, dada a vasta prole, estava completamente assegurada, mas D. Manuel não conseguia viver sem estar casado e, mais uma vez, procurou nova noiva e fê-lo através de intensas negociações que manteve em total segredo, pois a próxima esposa que o rei queria estava destinada ao seu filho D. João, futuro monarca de Portugal.
D. Manuel conseguiu! A sua próxima mulher passava, assim, de noiva a madrasta do príncipe D. João. E logo, em 1519, se casou D. Manuel pela terceira vez. A nova mulher, D. Leonor, tinha apenas 20 anos e o rei 50 anos.


O casamento durou três anos, pois D. Manuel morreu em dezembro de 1521, deixando dois filhos deste terceiro matrimónio.
Mas a história não terminou aqui, uma vez que D. Leonor, acabada de enviuvar, apenas com 23 anos, tinha estado antes noiva do que passou a ser seu enteado, sucessor ao trono como D. João III e manteve, ao que se diz, um amor secreto pelo seu ex-noivo e depois enteado.



Sigamos, agora, para os outros reis também eles grandes mulherengos.


Quem encabeça a lista dos reis mais dados ao amor são D. Pedro II que, para além de se ter casado com a mulher do irmão e ter tido ainda uma segunda esposa, se entregou ao amor de muitas outras mulheres fora dos seus dois casamentos. A par de D. Pedro II, está o célebre D. João V com uma grande lista de amantes.


E temos ainda D. Pedro IV que, não só era muitíssimo mulherengo como também, segundo se diz, foi o rei português com mais filhos postos no mundo. Diz-se que terá sido pai de cerca de 35 filhos. Uma vastíssima prole e um coração permanentemente apaixonado. Este rei tem ainda a particularidade de estar enterrado no Brasil, mas o seu coração está em Portugal, no Porto.



D. Pedro IV foi regente do Brasil, depois imperador e, por fim, durante escassos meses, rei de Portugal… e do coração de centenas de mulheres.

De baiuca em botequim, o jovem infante D. Pedro (1798-1834) habituou-se a viver no descontraído e relaxado Brasil, procurando de dia e de noite, no palácio, no campo ou na cidade, a companhia de mulheres, fossem elas portuguesas, estrangeiras, brasileiras, brancas, mulatas, índias, louras, morenas, casadas, solteiras, viúvas, criadas, aias, donzelas ou fidalgas…

Qualquer uma, sem exceção ou reserva, o infante desejava e “amava”, ao ponto de as famílias mais importantes do Rio de Janeiro fecharem as filhas em casa à chave para não haver o perigo de se desonrarem as donzelas pelo insaciável apetite sexual de D. Pedro.


Casou-se em 1817 com D. Leopoldina da Áustria, não perdendo, ainda assim, o fogoso vício pelas mulheres, incluindo a própria esposa que, nos nove anos de casamento, engravidou oito vezes.


Destacou-se, de entre as centenas de mulheres que teve, a amante paulista Domitila de Castro, a quem deu títulos e bens, e convidou para habitar no palácio, onde vivia com a própria mulher D. Leopoldina e com os seus filhos legítimos.


Teve ainda D. Pedro a particularidade de dar o nome Pedro a quase todos os bastardos rapazes que nasceram das suas inúmeras aventuras amorosas. O último dos seus filhos ilegítimos, de novo um Pedro, nasceu em 1833, fruto do seu relacionamento com uma das damas de companhia da própria filha, D. Maria, futura rainha de Portugal.


Pai de cerca de 35 filhos, morreu com 36 anos, dias depois de a filha, de 15 anos (a futura D. Maria II), se sentar no trono português, em 1834.


De outros pinga-amores reza a História de Portugal. Havemos de voltar a mais algumas destas “cusquices” reais, em breve 😊


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