Como a perceção do corpo “ideal” tem mudado ao longo dos tempos

A PRIMEIRA REPRESENTAÇÃO DO CORPO DA MULHER SURGIU COM AS ESTÁTUAS DE VÉNUS, HÁ MAIS DE 25 MIL ANOS

Jéssica Santos


Com curvas, sem curvas, altas, baixas, com barriga, sem barriga, celulite ou estrias. Cada mulher é única e cada homem também. Cada corpo é um corpo e nem todos reagem da mesma forma aos alimentos ou ao exercício.


Numa sociedade ideal, não existiriam corpos “ideais”. Há quem se aceite e há quem leve uma vida para se aceitar. As redes sociais têm, neste momento, um papel importante para mostrar que a beleza está para lá de um corpo. No entanto, não é isso que se apregoa muitas vezes e a perceção de um corpo, visto por muitos como “ideal”, acaba por se resumir a um corpo magro, sem pregas e com abdominais.

Ao longo da história, nem sempre foi este o “ideal” de beleza.

As primeiras representações do corpo da mulher surgiram com as estátuas de Vénus, há mais de 25 mil anos.



Na Grécia antiga, Afrodite, a deusa do amor, era frequentemente retratada com curvas. Para conseguir este tipo de corpo, e um pouco mais tarde, as mulheres passaram a recorrer ao espartilho, uma peça que se tornou popular no final do período do Renascimento até ao início do século XX.


À medida que mudava a perceção do corpo “ideal” da mulher, as formas do espartilho também se alteravam.


Os loucos anos 20


Nos séculos XVIII e XIX, o corpo promovido pela indústria da moda era um corpo curvilíneo. No entanto, é no século XX que se dá uma grande mudança. A perceção do corpo ideal da mulher deixa de ser um corpo com curvas para passar a ser um corpo atlético, jovem e magro.

Os loucos anos 20, marcados pelo fim da Primeira Guerra Mundial, foram anos de excesso, criativos e tumultuosos.

Foi nos anos 20 que as mulheres começaram a alcançar alguns direitos. Nesta altura, as mulheres andavam quase todas de cabelo curto e vestidos acima do joelho.



As revistas representavam mulheres com corpos mais magros. "A maior prevalência relatada de distúrbios alimentares ocorreu nas décadas de 1920 e 1980, os dois períodos em que a 'mulher ideal' foi a mais magra da história dos EUA", revelam os investigadores da Universidade de Wisconsin-Madison ao Journal of Communication.


Final dos anos 80 e início dos anos 90


No final dos anos 80 e durante o início dos anos 90, as supermodelos, como Cindy Crawford, Linda Evangelista e Naomi Campbell, ditaram os padrões de beleza.



O corpo “ideal” era alto e magro e era sinónimo de poder. A anorexia nervosa foi associada à maior taxa de mortalidade entre todos os transtornos mentais, durante os anos 90, de acordo com um estudo do Current Psychiatry Reports.

Na mesma época, a Organização Mundial da Saúde alertava para o aumento do número de casos de obesidade.
Estes dois extremos - magreza extrema e obesidade - eram apresentados nos media, pelo que as pessoas começaram a julgar os seus corpos através destas duas formas.
Atualmente, há uma maior abertura para a diversidade de corpos. É importante mostrar que os corpos ideais não existem, que a sociedade está em constante mutação e que há muitos tipos de beleza. Beleza é também ter confiança e amor próprio.


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