11 de setembro - 20 anos depois, ainda há quem acredite em versões alternativas

NÃO FORAM ATAQUES TERRORISTAS, FOI UMA MANOBRA INTERNA ORDENADA PELO PENTÁGONO. ESTA É APENAS UMA DAS MUITAS TEORIAS EM TORNO DO 11 DE SETEMBRO

ANTÓNIO MENDES


Há 20 anos vivemos um dos acontecimentos mais marcantes das nossas vidas. A maior parte de nós lembra-se onde estava naquele dia 11 de setembro de 2001. Eu tinha acabado de chegar nos Estados Unidos e estava na RFM. Lembro-me de subir a escada e encontrar o João Pereira. Olhou para mim com espanto. Ah, já cá está! Olhe, uma avioneta chocou contra as Torres Gémeas em Nova Iorque.

Corri para a sala da RFM. Não era uma avioneta. Era uma aeronave bem maior. Ao fundo da sala alguém diz que estávamos a ver começar a Terceira Guerra Mundial em direto. Nada de novo para quem já tinha visto a Guerra do Iraque narrada na TV por José Rodrigues dos Santos. Fiquei na sala o tempo suficiente para ver em direto um segundo avião colidir com a segunda Torre, naquele dia 11 de setembro.

À sensação de horror aliou-se um misto de incredulidade. Parecia estar a ver um filme de ação. A qualquer momento, Schwarzenegger e os bons iam aparecer e dar conta da situação.

Mas não apareceu. Nem Schwarzenegger, nem os bons. Só os maus que atiraram outro avião contra o Pentágono, em Washington, e outro ainda contra o solo na Pensilvânia.

A data de 11 de setembro de 2001 fica para sempre marcada na memória da Humanidade como aquela em que aconteceu um dos mais brutais ataques terroristas de todos os tempos. Num só dia, 19 terroristas suicidas desviaram 4 aviões e mataram quase 3 mil pessoas em território dos Estados Unidos da América, numa operação que mais parecia o guião de um filme de ação. Por uma vez, não aconteceu nos ecrãs, mas na vida real do país que mais contribuiu para o cinema de ação.

Uma operação sem igual dos terroristas da Al-Queda. Ou talvez não. Também pode ter sido um inside job, uma manobra orquestrada e coordenado pela CIA ou por algum outro organismo de Estado. O Ataque de 11 de Setembro, como outros grandes acontecimentos da História, tem também a sua dose de “teorias da conspiração”.

As teorias da conspiração são hipóteses explicativas, especulativas, de fenómenos ou acontecimentos que atribuem a algumas pessoas ou organizações a responsabilidade por algum evento. São “da conspiração” porque essas pessoas ou organizações têm, normalmente, supostos motivos para esconder “a verdade”.

A minha teoria da conspiração de estimação é a de que a Terra é plana... Eu sei que não é, tenho é um fascínio pela ideia de que existem pessoas que, em pleno século XXI, acreditam que a Terra é plana e que a NASA faz tudo para nos esconder “a verdade”. Talvez por ser das teorias da conspiração mais absurdas, fascina-me. De certo modo, certifica a ideia de que, numa era em que existe tanto acesso a informação e a ciência está mais avançada do que nunca, há pessoas que acreditam em teorias que não são sustentadas por factos e fogem aos mais elementares princípios científicos.





Nem todas as teorias da conspiração envolvem questões científicas ou envolvem ciência – como a ida à Lua ou o aparecimento de doenças. Algumas, como as que envolvem o 11 de setembro, prendem-se com acontecimentos espetaculares. O que as une a todas é a existência de pessoas ou grupos secretos que escondem “uma verdade”, não uma qualquer, mas a verdadeira verdade.

Outra coisa comum entre as teorias da conspiração é a existência de perguntas que ficam, aparentemente, sem resposta. E assim é com o 11 de setembro. Porque caiu a Torre 7 se não foi atingida por nenhum avião? Porque é que o Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ficou 7 minutos a conversar com crianças depois de saber que tinha havido um ataque terrorista? Como é possível que homens mal treinados - um deles não tinha conseguido descolar com um Cessna 15 dias antes do 11 de setembro - tenham conseguido pilotar aviões comerciais com tão grande perícia?

Vinte anos depois, o 11 de setembro continua envolvo em questões aparentemente sem resposta e que contribuem para a existência de teorias da conspiração.




1. A queda das Torres Gémeas



Depois do embate dos aviões, o desmoronamento das Torres Gémeas foi relativamente rápido. Cerca de 56 minutos no caso da Torre World Trade Center 1 e 102 no da Torre 1.

De acordo com a teoria alternativa, as Torres não deveriam ter caído e as suas quedas assemelham-se claramente a uma demolição controlada. Aliás, diversos relatos apontam para a existência de cheiro a pólvora nas imediações das torres e outros que garantem ter ouvido explosões.

Inquéritos levados a cabo pelo National Institute of Standarts and Technology (NIST) apontam para o facto dos aviões terem danificado as estruturas de suporte dos edifícios. Acresce que os aviões tinham acabado de descolar e os seus tanques estavam cheios de combustível.

As temperaturas elevadas resultantes dos incêndios não derreteram as estruturas de metal dos edifícios, mas foram suficientes para alterar a sua resistência. O estudo levado a cabo pelo NIST afirma que o peso dos pisos fez o resto. Com a estrutura de sustentação danificada pela colisão dos aviões e pelos incêndios, os edifícios colapsaram como se de uma demolição programada se tratasse.

Apenas um pequeno pormenor estraga esta teoria. Nas demolições programadas as explosões ocorrem normalmente nos pisos inferiores, ou seja, de baixo para cima.

No caso das quedas das Torres 1 e 2 do World Trade Center, no dia 11 de setembro, as quedas dos edifícios aconteceram de cima para baixo. Os pisos foram colapsando à medida que lhes caia em cima mais peso do que conseguiam aguentar.





2. A Torre 7 caiu sem ter sido atingida por nenhum avião


Tudo o que foi dito atrás é contrariado pela queda da Torre 7. Mais pequena que outras duas, a Torre 7 do World Trade Center veio a cair às 5 horas e 21 minutos, oito horas depois dos aviões terem embatido nas torres. O colapso desta torre veio contribuir decisivamente para aumentar as dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquele dia.

Como é possível que um moderno edifício, que não foi atingido por nenhum avião, como os outros dois, tenha também caído? O World Trade Center 7 só podia ter sido destruído por uma demolição controlada, com recurso a materiais inflamáveis.

Aliás, alguns cientistas céticos que investigaram a queda da torre 7 do WTC, no dia 11 de setembro, afirmaram que encontraram no local elevadas quantidades de substâncias que resultam de material explosivo.

Os relatórios oficiais, como o do NIST, concluiu que a queda da torre 7 do WTC foi uma consequência de danos graves na estrutura do edifício, resultantes de incêndios que lavraram durante 7 horas.

Além disso, as substâncias resultantes de explosões que os cientistas céticos diziam ter encontrado eram apenas partículas de tinta básica.




3. Como pode um avião ter colidido com o Pentágono e ninguém ter antecipado a situação?


Uma das questões mais intrigantes deste 11 de setembro é a que se refere ao facto de um avião comercial ter colidido com o edifício do Pentágono, o quartel general das forças armadas mais poderosas do mundo, e ninguém ter feito nada para o impedir.

Mais intrigante ainda, como é possível que tal tenha sido feito por um piloto sem qualquer experiência de voo e não tenha deixado qualquer rasto.

As teorias da conspiração apontam para a ideia de o Pentagono ter sido atingido por um míssil ou por um pequeno caça ou avião não tripulado, mas nunca por um Boeing 757. Aliás, dizem os defensores das teorias da conspiração que o avião estava sob o controlo do Pentágono e não da Al-Quaeda.

Esta é talvez das teorias da conspiração mais fáceis de desmontar. Entre os destroços foram encontradas as caixas negras, entre outros destroços do avião da American Airlines. Há também testemunhas que viram o avião colidir com o edifício do Pentágono.

Estas são apenas três das inúmeras teorias da conspiração que existem em torno dos ataques terroristas do 11 de setembro. Algumas pessoas questionam-se como é possível que os terroristas tenham entrado nos aviões tão facilmente.







Antes do 11 de setembro de 2001, viajar de avião nos Estados Unidos assemelhava-se a andar de autocarro em hora ponta em tempo de não pandemia. Lembro-me, na viagem que fiz pelos Estados Unidos e que me trouxe de volta a Lisboa no dia anterior ao dos atentados, de fazer escala em diversos aeroportos – estive em várias cidades, e foi sempre a mesma coisa. Pessoas amontoadas junto às pontas de embarque, no maior alvoroço, com medo dos overbookings e dispostos a negociar o seu lugar.

Depois do 11 de setembro de 2001, viajar de avião ficou mais seguro, mas as teorias da conspiração permanecem.

Às vezes é menos penoso acreditar em verdades alternativas, ainda que, neste caso, é indiferente quem mandou matar todas aquelas pessoas. O horror daquele dia fica para sempre nas nossas memórias.



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