25 de novembro de 1975: o dia em que Portugal esteve quase à beira de uma guerra civil

MENOS DE 2 ANOS DEPOIS DA REVOLUÇÃO DO 25 DE ABRIL, O PAÍS ESTAVA A BRAÇOS COM OUTRA MOVIMENTAÇÃO MILITAR: O 25 DE NOVEMBRO DE 1975

Jéssica Santos
Ana Margarida Oliveira


Faz hoje 46 anos que Portugal viveu um dia de grande tensão político-militar, com um país à beira de uma guerra civil.


O 25 de novembro de 1975 foi um movimento militar levado a cabo pelas Forças Armadas Portuguesas que pôs fim ao Processo Revolucionário em Curso – o PREC que caminhava para uma ditadura de esquerda – e que conduziu Portugal para a estabilização de uma democracia representativa.
O país estava, na verdade, dividido.
Várias terras no Alentejo e Ribatejo tinham sido ocupadas e retiradas aos seus donos e muitas empresas já estavam nacionalizadas.
Num dos lados, estava a esquerda militar apoiada pelos comunistas - com “gonçalvistas” perto de Vasco Gonçalves, ex-primeiro ministro - e “otelistas”- próximos de Otelo Saraiva de Carvalho, chefe do COPCON (Comando Operacional do Continente) - defensores da revolução.
No outro lado, havia militares e apoiantes de um regime moderado, à direita do Partido Comunista, apoiados por Mário Soares do PS e por Francisco Sá Carneiro do PSD.

Os ânimos estavam quentes desde abril de 74, num país governado por um Conselho da Revolução, e, desde o verão de 1975, pairava sobre Portugal um clima de tensão.
A alegria do 25 de abril de 1974 há muito que havia passado e deu lugar a greves e manifestações que se multiplicaram pelo país como a da Fonte Luminosa, em Lisboa, que teve Mário Soares como principal orador, e a publicação do chamado ‘Documento dos 9’, redigido por Melo Antunes, que deram toda a legitimidade ao grupo político-militar que gerou o 25 de novembro.


Os ataques às sedes dos partidos políticos multiplicaram-se. Os golpes sucederam-se e a “gota d’água” foi a escolha de Vasco Lourenço para comandante da Região Militar de Lisboa, em substituição de Otelo, que os revolucionários viam como um chefe para a revolução socialista.


Depois de um período de disputa pelo poder político-militar, durante todo o verão de 75, as forças democráticas (PS, PPD e CDS, na ala partidária, os moderados do Movimento das Forças Armadas e a Igreja Católica), que lutavam por uma democracia do tipo europeu, e as forças comunistas (PCP, extrema-esquerda e a Esquerda militar), que procuravam impor ao país um regime autoritário como nos países comunistas, enfrentaram-se em Lisboa.


O general Costa Gomes, Presidente da República, foi negociando com todas as forças políticas e militares, no Palácio de Belém, em Lisboa, para evitar um confronto que pudesse despoletar uma guerra civil.



No dia 12 de novembro de 1975, houve uma manifestação com milhares de trabalhadores à volta do Palácio de São Bento durante dois dias. A recusa do Ministério do Trabalho em recebê-los veio aumentar o tom dos manifestantes que se mobilizou contra o Governo Provisório, que suspendeu funções dia 20.

Neste mesmo mês de novembro de 1975, a referida escolha de Vasco Lourenço para comandante da Região Militar de Lisboa, substituindo Otelo - este último visto pelos revolucionários como o líder para a revolução socialista - precipitou o 25 de novembro.



Na madrugada desta nomeação de Vasco Lourenço, houve movimentações dos paraquedistas que ocuparam as bases de Tancos, Monte Real, Montijo e o Comando da Região Aérea, no Monsanto, em Lisboa. Esta revolta deveu-se ao avanço do grupo militar dos "moderados" que, há meses, preparava um plano militar para responder a um eventual golpe da esquerda radical.



A resposta veio com unidades ligadas aos moderados, nomeadamente os comandos, que reocuparam pontos estratégicos, evitando assim o golpe.


Os comandos cercaram as instalações da Polícia Militar em Lisboa, ocupada pelos revoltosos. Venceram as forças moderadas apoiadas pelos partidos PS, PPD e CDS que, com a garantia do PCP de que não tomaria qualquer ação direta no golpe, e, em poucos dias, a normalidade foi restabelecida.


Tomaram-se medidas que levaram à desmobilização popular, numa altura em que muitas pessoas começavam a cercar os vários pontos militares, o que poderia levar à distribuição de armas e a uma possível guerra civil.



Dia 26 de novembro, o Conselho da Revolução decidiu dissolver o COPCON e ordenou a presença de todos os seus comandantes no Palácio de Belém. Ao longo deste dia, a situação começou a normalizar-se.

A partir deste dia o processo de estabilização de uma democracia representativa, em Portugal, tomava forma.

Mário Soares fez, em 2010, uma breve reflexão sobre o 25 de novembro de 1975, dirigido às gerações futuras de que aqui ficam excertos:
(…)A maior parte dos leitores jovens, desta breve crónica, talvez não saiba sequer do que se trata. E, no entanto, é, na história contemporânea de Portugal, uma data tão importante, para a afirmação da democracia pluralista, pluripartidária, e civilista, que hoje temos, como a Revolução dos Cravos.
Não tenho nenhum gosto de levantar polémicas passadas. Mas a verdade é que a memória histórica não deve ser esquecida. Sobretudo, quando os responsáveis de termos estado à beira da guerra civil, o Partido Comunista e a Esquerda radical - lembremo-nos dos SUVs e do poder popular - nunca fizeram uma autocrítica a sério do seu comportamento passado, como lhes competia.
Pelo contrário, continuam a pensar - e às vezes a dizer - que o 25 de Novembro foi uma contraRevolução, que impediu que Portugal fosse uma Cuba europeia. Onde estariam hoje esses responsáveis - e os seus herdeiros - se tivessem ganho? Seguramente não viveriam tão bem e em paz como hoje, felizmente, vivem. (…)"


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