“Bretões” ou “canhões”? A história do hino de Portugal

SABIAS QUE APENAS CANTAMOS UMA PARTE DO HINO?

Jéssica Santos


Cantas a plenos pulmões, com orgulho, em momentos de glória, vitória ou especiais, e, por norma, em tempos não covid, agarrado aos teus amigos/familiares. O hino nacional é o cartão de cidadão de Portugal e, este domingo, 19 de junho, faz 111 anos que se deu início do primeiro Parlamento republicano, no qual se adotou "A Portuguesa" como hino de Portugal.


"A Portuguesa" foi escrito por Henrique Lopes de Mendonça e composto por Alfredo Keil, em 1890. Surgiu como resposta patriótica contra o ultimato inglês, que exigia a retirada dos portugueses dos territórios entre Angola e Moçambique.



A versão completa do hino apelava à independência e ao patriotismo contra os “Bretões” (britânicos). Atualmente, apenas cantamos uma parte de “A Portuguesa” e substituímos “Bretões” por “Canhões”.



A história do hino passou por várias fases. Foi proibido pela monarquia, mas em 1910, com a implantação da República, voltou a ouvir-se nas ruas e foi consagrado como Hino Nacional a 19 de junho de 1911 pela Assembleia Constitutiva.


No entanto, ao longo dos anos foram circulando várias formas de o cantar até que, em 1956, uma comissão ficou encarregue de fixar uma versão final.
Desde 1957 que o hino nacional é tal qual o que conhecemos hoje.


“A Portuguesa” expressa em palavras, mais do que tudo, a essência dos portugueses: Um “nobre povo” e uma “nação valente”.


I

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!


Refrão

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!


II

Desfralda a invicta bandeira
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d’amor,
E o teu braço vencedor
Deu novos mundos ao Mundo!


Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!


III

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.


Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!



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