Ator que dá vida a Mr. Bean critica a cultura de cancelamento

ROWAN ATKINSON CRITICA A CULTURA DE CANCELAMENTO PRATICADA NAS REDES SOCIAIS E TEME PELO FUTURO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Jéssica Santos


Estar nas redes sociais, não é o mesmo que estar no quotidiano. Algumas pessoas veem na internet o escudo perfeito para libertarem toda e qualquer opinião. Com estes novos fenómenos de comportamento, surgem também novos termos. Numa entrevista ao “Radio Times”, o ator que dá vida a Mr. Bean, Rowan Atkinson, aborda esta situação e fala na cultura de cancelamento. O que é isto de ser cancelado?



Segundo Lisa Nakamura, professora de estudos dos media, na Universidade de Michigan, citada pelo New York Times, a cultura de cancelamento consiste em afastar alguém (cancelar) cuja expressão - seja política, artística ou outra - não vai ao encontro daquilo que o seu público pensa. Por norma, geram-se movimentos contra essa pessoa que visam o seu cancelamento.


Já Rowan Atkinson compara mesmo os “guerreiros do teclado” a uma “multidão medieval que vagueia pelas ruas à procura de alguém para queimar”. “É assustador para quem é vítima dessa multidão e isso enche-me de medo sobre o futuro.”


O ator explica que “o algoritmo ao decidir o que queremos ver acaba por criar uma visão simplista e binária da sociedade e torna-se um caso de ‘ou estás connosco ou contra nós’". "E se estás contra, és ‘cancelado’. É importante que estejamos expostos a um amplo espetro de opiniões."


A professora Lisa Nakamura diz, ao New York Times, que "a cultura de cancelamento nasceu de um desejo de controlo e que permite às pessoas experimentarem a sensação de poder."


Mais importante do que o controlo e poder, é cultivar a empatia, seja online ou offline.


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