Menos Beethoven, por favor. Universidade de Oxford quer "descolonizar" cursos de música

POSSÍVEIS MUDANÇAS NOS CURSOS INCLUEM A REDUÇÃO NO FOCO EM COMPOSITORES CLÁSSICOS, COMO MOZART OU BEETHOVEN, COMO PARA OBTER UM AFASTAMENTO DA "MÚSICA BRANCA EUROPEIA DO PERÍODO DA ESCRAVATURA"

ANTÓNIO MENDES


Menos Beethoven, mais hip-hop e um afastamento da notação musical tradicional. Esta é a proposta de um grupo de professores da Universidade de Oxford para os programas dos cursos de música desta instituição de ensino.


A proposta surge no seguimento das “demonstrações internacionais de Black Lives Matter” e assenta na “descolonização do plano de estudos” da Universidade de Oxford. Para os autores da proposta, existe um grande foco na “música europeia branca” e os cursos de música de Oxford devem tornar-se mais inclusivos e diversificados.


A oferta de ensino de música de Oxford já inclui géneros não eurocêntricos, como o hip-hop ou o jazz, mas os professores de música de Oxford, reunidos em reflexão fora da universidade, concluíram que a a faculdade "é quase toda branca", dando "privilégio às músicas brancas" e pediram que se estude mais “música euro-americana” e que se reduza o foco em compositores clássicos, como Mozart e Beethoven.



Neste sentido, o estudo de trabalhos de compositores como Guillaume de Machaut (França, século XIV) ou Franz Schubert (Austria, século XIX) poderá ser substituido pelo estudo de “Músicas da Diáspora Africana e Africana”, “Músicas Globais” ou “Músicas Populares”.


Alvo das críticas dos professores de música de Oxford está também o ensino da notação musical que, segundo os próprios, é um "sistema de representação colonialista".


O desenvolvimento da música clássica ocidental e sua notação antecedem o estabelecimento do comércio de escravos africanos, ambos tendo suas raízes na música litúrgica medieval, como o canto gregoriano.



A proposta dos professores de Oxford surge dias depois de Nick Gibb, o ministro de Estado britânico, o ministro de Estado britânico para os padrões escolares ter defendido que todos as crianças do Reino Unido devem estudar Mozart, Tchaikovski ou Beethoven, porque "aprender com os gigantes musicais do passado é uma parte importante da educação de uma criança".


Por detrás da proposta de incluir musica clássica na formação musical de todas as crianças do Reino Unido está a ideia de que, este género de música, não deve ficar reservado a elites privilegiadas. Antes deve ser popularizado.


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