Português faz mais de 4000 quilómetros a pé num dos trilhos mais desafiantes do mundo

É UM PERCURSO QUE LIGA A FRONTEIRA DO MÉXICO AO CANADÁ E FAZ-SE DE SUL PARA NORTE. É O PACIFIC CREST TRAIL E O NÚMERO DE PESSOAS A COMEÇAR ESTE TRILHO NUNCA É O MESMO DOS QUE O TERMINAM

Jéssica Santos


O espírito aventureiro faz parte dos genes portugueses. Apesar de não ser tão evidente nos dias de hoje, dado os tempos modernos e agitados em que vivemos, o que é certo é que em cada canto do mundo há um português e muitos deles tão aventureiros como alguns dos nossos antepassados.


Quantas vezes damos por nós noutro país e de repente ouvimos alguém falar português? É uma sensação boa, familiar, e que nos faz crer que a época do "partir à descoberta de novos mundos" ainda faz parte do nosso ADN, ainda que de uma forma mais adaptada.

Não foi numa caravela que Fábio Inácio partiu para a aventura, mas não deixou de se superar e de ultrapassar obstáculos. Fez, em 2019, o conhecido Pacific Crest Trail em apenas 108 dias.



Mas o espírito aventureiro de Fábio começou bem antes, em 2010, quando foi numa surf trip à Indonésia. Foi aí que percebeu, segundo diz numa entrevista ao Sapo Viagens, o que queria para a vida: viajar pelo mundo, fotografar e desmistificar algumas ideias que se tem sobre determinados povos. Porque há boas pessoas em todos os países.


O Pacific Crest Trail sempre foi um objetivo e conseguiu concretizá-lo, até ao fim, no ano passado.

São 4300 quilómetros, percorridos a pé, entre serras, montanhas, rios, lagos, desertos e muitos animais – como ursos ou pumas. O número de pessoas que começam esta aventura, nunca é o mesmo dos que acabam. Muitas desistem por lesões, falta de dinheiro ou cansaço.


O percurso, classificado como pedestre ou equestre, liga a fronteira do México à fronteira do Canadá, passando pelos estados norte-americanos da Califórnia, Oregon e Washington. E faz-se normalmente neste sentido — de sul para norte. O Pacific Crest Trail já foi concluído por 6657 pessoas de todo o mundo e encontra-se bem identificado. Através de uma aplicação que funciona por GPS, o viajante consegue perceber se está no trilho, a quantos quilómetros é a próxima vila e onde é que há água.



Mas não foi por isso que Fábio deixou de enfrentar vários desafios. Na mesma entrevista, diz que esteve um dia inteiro sem comer e nem sempre encontrava água.


As aventuras deste viajante a tempo inteiro estão compiladas no livro “Walking Aroud Sul”, que tem também muitas fotografias que foi tirando ao longo do percurso.



No seu site, conta também alguns episódios de outras viagens que realizou.


Esta experiência de Fábio é um exemplo de superação física e psicológica. Desafiou-se, foi resiliente e superou-se.