Filme nomeado para 10 Óscares é dedicado a soldado português

Teresa Lage

"1917" - o oitavo filme de Sam Mendes - realizador de ‘Beleza Americana’, ‘Skyfall’ e ‘Revolutionary Road’ que estreia dia 23 de janeiro em Portugal, já vencedor dos Globos de Ouro para "Melhor Realizador" e "Melhor Filme", está nomeado para 10 Óscares!.

Tendo como cenário a primeira guerra mundial, "1917" é um verdadeiro épico sobre a missão arriscada de dois soldados.

George MacKay (‘Capitão Fantástico’) e Dean-Charles Chapman (‘A Guerra dos Tronos’) são os protagonistas e interpretam dois cabos, Schofield e Blake, estafetas de quem depende a vida de 1600 homens que caminham para uma armadilha.

Os dois estafetas, têm de atravessar território inimigo para entregar, a outro batalhão, uma mensagem a cancelar um ataque planeado para o dia seguinte.



Realizado por Sam Mendes, este filme conta também no seu elenco com atores como Colin Firth (General Erinmore), Benedict Cumberbatch ( Coronel MacKenzie) , Mark Strong (Capitão Smith) , Andrew Scott (Tenente Leslie) e Richard Madden ( Tenente Joseph Blake), entre outros.

Depois de arrecadar os Globos de Ouro para "Melhor Realizador" e "Melhor Filme", "1917" de Sam Mendes foi nomeado para 9 BAFTAs (distinções entregues pela Academia de Cinema e TV britânica), para 10 Óscares (entre as quais os de "Melhor Filme", "Melhor Realizador" , "Melhor Argumento") e é já lider de bilheteira nos Estados Unidos.


"1917" revisita a tensão da Primeira Guerra Mundial, a chamada "Grande Guerra", em que participaram muitos soldados portugueses, entre os quais o soldado a quem é dedicado o filme - o avô português de Sam Mendes

"1917" termina com um agradecimento a Alfred Mendes "o soldado que contou estas histórias"



Foi a aventura do soldado madeirense Alfred Mendes que inspirou o neto, Sam Mendes, a realizar o filme “1917”.

Mendes nasceu em Reading, Berkshire, filho único de Valerie Helene Mendes, uma judia inglesa, autora de livros infantis, e Peter Mendes, um professor universitário, natural de Trinidad e Tobago mas de ascendência portuguesa pela parte do pai, o escritor Alfred Hubert Mendes, soldado na Primeira Guerra Mundial.

Sam Mendes contou num Podcast da Variety: “Eu tinha uma história fragmentada que o meu avô que lutou na Primeira Guerra Mundial, me contou . Era a história de um estafeta com uma mensagem para entregar. Essa história ficou comigo desde pequeno, foi esta a história que aumentei e alterei um pouco ...mas foi o que inspirou o filme"

O avô do realizador guardou as suas memórias em silêncio até à década de 70 quando contou, na sua Autobiografia "The Autobiography of Alfred H. Mendes 1897-1991", como foi mobilizado para a Guerra e serviu em França e na Flandres, no batalhão “King's Royal Rifles”.

Alfred tinha, então, apenas 19 anos e era conhecido pela sua bravura. O Major General Matheson que comandava a quarta divisão, referiu-se de forma elogiosa ao desempenho de Mendes que, mesmo de baixo de fogo, mostrava “bravura e devoção”. Essa atitude vale-lhe uma medalha militar.



Segundo uma investigação de Maria João Costa jornalista da RFM/ Renascença, Alfred Mendes foi um sobrevivente nas trincheiras da guerra, mas também um reconhecido escritor em Trinidad e Tobago, o estado das Caraíbas, onde viveu e escreveu sobre os portugueses.

Ainda hoje Alfred Mendes é conhecido em Trinidad e Tobago, como “Alfy”.

Nascido no século XIX, o avô do realizador Sam Mendes liderou aquele que ficou conhecido como o primeiro movimento moderno da literatura caribenha e chegou mesmo, com outros amigos escritores, a fundar uma revista, a 'The Beacon' que deu expressão a essa produção literária.


Maria João Costa ligou para Trinidad e Tobago e falou com Jo-Anne Ferreira, bisnesta de madeirenses e professora de linguística na Universidade das Índias Ocidentais que estudou a obra deste autor. Jo-Anne explicou à jornalista da RFM/RR que "Alfy foi um dos grandes escritores do período dos anos 30 e 40. Escreveu dois romances, vários contos e mais de 60 poemas”.

Jo-Anne disse ainda que o avô do realizador Sam Mendes “foi o primeiro a escrever sobre a comunidade portuguesa de origem madeirense em Trinidad e Tobago. Alfred Mendes escreveu sempre em língua inglesa, entre as suas obras estão livros como “Pitch Lake: A Story from Trinidad” ou “Black Fauns”".

Nas suas palavras, "Alfred Mendes é um Herói Nacional e os seus livros estão agora todos disponíveis provavelmente devido ao interesse gerado pelo filme do neto Sam".


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