Austrália altera o hino nacional para valorizar povos indígenas

O HINO NACIONAL SOFREU UMA PEQUENA, MAS SIGNIFICATIVA MUDANÇA

Madalena Costa


Há pequenas mudanças que podem fazer a diferença. E foi isso que a Austrália fez ao alterar o seu hino nacional, com o objetivo de valorizar ainda mais os povos indígenas.


Apesar de ter sido uma pequena alteração, foi significativa para incluir as comunidades indígenas da Austrália. O hino nacional do país, “Advance Australia Fair”, que conta no primeiro verso com "Australians all let us rejoice, for we are young and free" (Australianos, vamos todos celebrar, pois somos jovens e livres) foi alterado para "Australians all let us rejoice, for we are one and free" (Australianos, vamos todos celebrar, pois somos unidos e livres).



A mais recente versão do hino passa agora a reconhecer o passado do país, antes da colonização pelos britânicos em 1788. Com o tempo, 500 tribos indígenas tornaram-se numa minoria que luta pela inclusão e pela igualdade, diariamente.


“No espírito de unidade, é justo que agora reconheçamos isso e garantamos que o nosso hino nacional reflita essa verdade e apreciação partilhada. Mudar 'jovem e livre' para 'unido e livre' não tira nada, mas acredito que acrescenta muito. A Austrália como uma nação moderna pode ser relativamente jovem, mas a história do nosso país é antiga, assim como as histórias de muitos povos das Primeiras Nações, cuja administração reconhecemos com razão e respeito" escreveu o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, num artigo para o Sydney Morning Herald, citado pela CNN.


Para muitos, a diferença é significativa, mas há outros que ainda não acham que tenha sido feito o suficiente.


"Isto atinge o objetivo principal do nosso trabalho, que era transformar palavras de mágoa ou exclusão em palavras de inclusão e abraçar uma sociedade multicultural do século XXI" explicou Peter Vickery, fundador da Representation In Anthem, que sempre lutou para letras mais inclusivas no país.


O hino nacional da Austrália tem dividido opiniões há já algum tempo e é por isso que muitos confessam que há um longo caminho por percorrer, tal como diz Ian Hamm, presidente da organização indígena First Nations Foundation, que confessa que a mudança foi "um bom passo, mas afinal, é apenas um passo".


Apesar de algumas críticas, os primeiros passos para a mudança e para uma sociedade mais inclusiva e igualitária estão agora a ser dados na Austrália.


  • Partilha:

Top