Com paisagens de cortar a respiração, azuis e verdes nunca antes vistos e um clima apetecível, a Madeira é a ilha onde o tempo e o espaço se unem para proporcionarem experiências memoráveis a quem lá vai e a quem tem o privilégio de lá morar.

Hoje, dia 1 de julho, comemora-se o Dia da Madeira, a nossa eterna pérola do Atlântico.


Descoberta entre 1417 e 1420, por João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo, o Dia da Madeira marca as comemorações do dia da Autonomia do arquipélago, estabelecida na Constituição Portuguesa de 1976.

Em era pré-Covid, este é um dia de festa na Madeira e pelo mundo inteiro. O feriado é assinalado com foguetes, girândolas de fogo, muitas flores pela ilha e uma missa na Sé do Funchal. As celebrações oficiais têm lugar na Madeira, mas também se alastram por outros países que tenham a presença de madeirenses.

A Madeira toca todos e já foi motivo de artigo de uma das mais prestigiadas revistas de viagens do mundo. A Condé Nast Traveller ficou completamente rendida aos encantos da Madeira e apelida-a de “vibrante”, “romântica”, exótica” e “acolhedora”.

A Madeira foi também eleita, este ano, um dos destinos mais populares da Europa, pelo Tripadvisor e, no ano passado, pela sétima vez, foi eleita o melhor destino insular da Europa.



A pérola do Atlântico é um arquipélago maravilhoso cheio de História, de histórias e de curiosidades. Aqui ficam algumas!


Um dos descobridores ficou com o apelido da sua mulher


Um dos descobridores da Madeira (1417-20) ficou conhecido pelo sobrenome da sua consorte. Tristão Vaz era casado com Branca Teixeira e ambos foram pais de 12 filhos. Ao que parece, os filhos usavam apenas o apelido da mãe e este foi também acrescentado ao nome do marido.
Tristão Vaz aparece assim, frequentemente, como Tristão Vaz Teixeira. Ficou também conhecido como Tristão da Ilha.
Mas as curiosidades desta família não acabaram aqui. A filha mais velha do casal chamou-se Tristoa e deram o nome Catarina a duas filhas. Uma outra filha, Guiomar, veio a casar-se com o único filho varão de Bartolomeu Perestrelo, outro descobridor da Madeira.


Quando tudo vale para cultivar a terra


O solo da ilha da Madeira, rico em vegetação e nascentes de água, revelou-se extremamente fértil. Havia que ganhar terra ao mato para a cultivar, já que a ilha se cobria na totalidade de floresta, mas nenhuma árvore dava frutos comestíveis.
Dado que os homens eram poucos e as ferramentas frágeis, derrubar árvores parecia uma tarefa, para além de demorada, quase impossível. Então, o capitão Gonçalves Zarco decidiu pegar fogo à mata, julgando, desta forma, conquistar clareiras facilmente. Sucedeu que as chamas alastraram descontroladamente pela ilha, ajudadas pela resina da densa floresta.
Foram precisos sete anos para este incêndio gigante se dar como extinto. Já era o Funchal uma aldeia, habitada pelos colonos, e ainda se ateava este mesmo fogo pela ação do vento, obrigando os habitantes, nestas alturas, a abandonar literalmente o Funchal e a fugir para as barcaças ancoradas no mar, escapando às labaredas.


Os dois primeiros bebés nascidos na Madeira


Nesta ilha maravilhosa, onde os portugueses chegaram em 1417, as primeiras crianças receberam um nome a condizer.
As duas primeiras crianças que nasceram na Madeira chamaram-se Adão e Eva, por todos considerarem que estavam numa ilha paradisíaca, segundo o padre Jerónimo Dias Leite, no livro Descobrimento da Ilha da Madeira, Discurso da Vida e Feitos dos Capitães da Dita Ilha.
Adão e Eva eram filhos de Gonçalo Aires, o autor dos primeiros registos escritos sobre o descobrimento das ilhas.


Topónimos estranhos, sempre com uma história por detrás.


Diz-se que aquando da segunda vez que os portugueses aportaram na ilha de Porto Santo, desta feita com ordem de posse, os navegadores encontraram uns frades portugueses moribundos, vítimas de um naufrágio e, por isso, deram ao local o nome de Porto de Frades.
Do Porto Santo dirigiram-se à Madeira e chamaram à primeira ponta de terra que avistaram Ponta de São Lourenço, por ser este o nome do barco comandado por Gonçalves Zarco.



Um navegador casamenteiro e o genro Colombo


Pouca população no Porto Santo não foi sinónimo de falta de mulheres. Bartolomeu Perestrelo, o capitão-donatário de Porto Santo, apesar de viver na ilha com menos colonos e menos população, conseguiu casar-se três vezes e teve vários filhos.
A filha mais nova de Bartolomeu Perestrelo, Filipa, casou-se com Cristóvão Colombo que atingiu, anos depois, em 1492, a América.


A coelha grávida que arrasou Porto Santo


Vinha a bordo e deu cabo da ilha com tantos descendentes. Ao contrário da Madeira, Porto Santo não tinha rios nem riachos e, de início, os colonos apenas encontraram uma única nascente de água doce. A este problema da seca e infertilidade da terra juntou-se um outro.
A bordo do barco de Bartolomeu Perestrelo, juntamente com os restantes animais domésticos e gado, vinha uma coelha grávida que deu à luz, já na ilha. As crias espalharam-se e reproduziram-se tão depressa que se tornaram numa praga, alimentando-se constantemente da pouca vegetação existente. Por outro lado, esta rápida reprodução dos coelhos provou que havia condições ambientais e naturais para animais e seres humanos sobreviverem em Porto Santo.
A custo, os colonos conseguiram que a terra se deixasse cultivar com trigo e cevada, mas os coelhos foram sempre um problema, pois devastavam frequentemente a lavoura para se alimentarem.


A Madeira, uma espécie de estação de serviço


As naus tinham de parar, nas suas viagens, para abastecimento alimentar. O arquipélago da Madeira, no seu todo, evoluiu e cresceu e a verdade é que, cerca de 20 anos após a chegada dos primeiros colonos, era já um ponto fundamental de escala e de «aguada» (local onde as embarcações paravam para abastecimento de água e alimentos) dos navegadores, que percorriam e exploravam a costa africana, onde se abasteciam de peixe, fruta, vinho, carne e biscoitos.


Sem um olho ou de olhos verdes?


João Gonçalves Zarco, um dos navegadores que, mais tarde, descobriu a Madeira, participou na tomada de Ceuta (1415) e ganhou uma alcunha.
Nesta batalha, no norte de África, João Gonçalves lutou de forma destemida e heroica e ganhou, durante a peleja, a alcunha de Zarco. Porquê Zarco? Há várias respostas.
Uns dizem que matou um mouro chamado Zargo. Outros consideram que terá perdido um olho na batalha, pois zarco é sinónimo de zarolho. Ainda há quem avance com a simples cor dos olhos, pois eram verdes ou azuis e, naquele tempo, chamavam zarco aos animais de olhos claros.
Ficou a alcunha «Zarco» que, com os anos, se somou ao nome, João Gonçalves Zarco.