Esta é uma carta que nunca deveria ter sido escrita por uma criança de nove anos. Com esta idade, quer-se que as crianças sejam livres, brinquem com amigos, na rua e em parques, tenham sonhos e um futuro à sua frente.


Galiya, de nove anos, e tantas outras crianças ucranianas não vão ter essa sorte. Esta criança viu a sua mãe morrer em Hostomel, uma cidade ucraniana destruída pela ofensiva russa. Conta o jornal "El Mundo" que, quando a família tentava fugir da região, a mãe não resistiu a um dos ataques. A criança continuou no carro onde seguia a família e foi, mais tarde, resgatada por vizinhos e levada para um esconderijo.


A propósito do dia da mãe, celebrado a 8 de março, na Ucrânia, Galiya escreveu esta carta que nunca chegou a ser lida pela sua destinatária.


A mensagem, escrita em duas páginas de uma agenda, foi partilhada no Twitter pelo antigo ministro-adjunto do Ministério da Administração Interna da Ucrânia Anton Gerashchenko, que é atualmente conselheiro do ministério.


Entre palavras fortes e emocionantes, Galiya escreveu (em tradução livre):


"Mamã. Esta carta é um presente para ti no dia 8 de março. Obrigada pelos melhores nove anos da minha vida. Sou muito grato a ti pela minha infância. És a melhor mãe do mundo. Eu nunca te vou esquecer. Desejo-te boa sorte no céu. Desejo que chegues ao paraíso. Vou tentar comportar-me bem para chegar ao paraíso também. Beijo, Galiya”.



A carta do pequeno Galyia chegou também a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, que se realizou esta segunda-feira.


Sergiy Kyslytsya, embaixador da Ucrânia nas Nações Unidas, leu algumas cartas redigidas por crianças, mães e soldados ucranianos e disse que estas "não deveriam ser escritas”, pois são o espelho de que “algo de terrivelmente errado” aconteceu, "inclusive aqui nas Nações Unidas".



O embaixador da Ucrânia nas Nações Unidas reforçou que é urgente "parar o Kremlin" porque "se não formos capazes (...) mais e mais crianças ficarão órfãs. Mais e mais mães perderão os seus filhos".


À boleia desta guerra, milhares de inocentes já morreram. A cada dia que passa, chora-se a vida de familiares e amigos que partiram e surgem muitas homenagens para eternizá-los.