XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX' width='0' style='display:none;visibility:hidden'>

Lê isto para não te deixares enganar por fake news

ANTÓNIO MENDES


Talvez já te tenha acontecido. Vês uma notícia no Facebook, lês o título, pensas “é isto mesmo!” e, de imediato, partilhas. Talvez até acrescentes um comentário de uma ou duas linhas para sublinhar o título da história que estás a partilhar.

Depois de teres partilhado a notícia, alguns amigos começam a comentar. Uns concordam com o que partilhaste e reforçam a tua sensação de “é isto mesmo”. Mas outros, há sempre alguém que o faz, discordam do que publicaste e até lançam uma ou outra pergunta que te deixa inseguro. E, se te deixa inseguro, já não é mau.

É tudo normal. Muitos de nós já passamos pela situação de ter partilhado uma notícia falsa, ou fake news, sem a consciência de o ter feito. É que, se há casos em que é óbvio que se trata de uma fake news, muitas vezes é difícil distinguir a mentira da verdade.



Mas o que são fake news?

As fake news são notícias ou histórias criadas para desinformar ou enganar deliberadamente. Geralmente de natureza sensacional, são criadas para serem amplamente partilhadas e têm quase sempre o objetivo de gerar receita com anúncios web ou desacreditar uma figura pública, um movimento político, uma marca ou uma empresa.

Nada de novo. Em toda a história da Humanidade sempre existiram boatos e rumores que são uma espécie de fake news. Em 1750 circulou nas ruas de Paris o rumor de que o rei Louis XV raptava crianças à noite para se banhar no seu sangue. Alguns anos depois, em 1761, nas ruas de Londres, o rumor de que a cidade iria sofrer um grande terramoto espalhou o pânico.

O que é novo e diferente é a rapidez com que se espalham as fake news e o seu alcance, duas coisas proporcionadas pelas redes sociais. O passa palavra sempre marcou a nossa vida social. Mas, no passado, estava limitado aos nossos contactos face a face. As plataformas de redes sociais, como o Facebook ou o Reddit, colocam à frente dos nossos olhos toneladas de notícias das mais diversas proveniências. Hoje, na era do “muitos para muitos”, passar informação está ao alcance de uma partilha.

No ano passado, por exemplo, espalhou-se rapidamente o rumor de que a Faceapp, a app que envelhece as nossas caras um bom par de décadas, roubava dados dos nossos telemóveis e os entregava aos russos. Veio depois a saber-se que não é bem assim, mas a fake news já se tinha espalhado.




Porque è que existem fake news?

É difícil listar todos os motivos porque existem fake news. Uns são aparentemente inócuos, outros são deliberadamente manipuladores. Todos são perigosos porque criam uma visão deturpada ou enviesada da realidade.
As fake news podem ser uma consequência do clickbaite, da propaganda, de jornalismo menos rigoroso ou até da leitura desatenta de sites satíricos.


Clickbaite
De certeza que já clicaste em notícias porque o título te despertou a atenção. Uma das coisas que se aprende nas aulas de “Introdução ao Jornalismo” é que um bom título é meio caminho para que a notícia seja lida.
Mas há uma diferença entre um bom título e clickbaite. Um bom título desperta a atenção, captando o essencial da história noticiada. O clickbaite vai para lá da notícia. O seu único propósito é obter mais visitas para o site que o pública e, consequentemente, aumentar as receitas de publicidade.
Os meios de comunicação social a sério podem recorrer a títulos mais ou menos sensacionais, mas dificilmente alinham na estratégia do clickbaite. Esta é uma técnica usada por plataformas que pretendem passar por órgãos de informação.
Em Portugal, há um site chamado Bombeiros 24 Horas que nada tem a ver com bombeiros, nem com serviços de emergência. É uma plataforma de desinformação cuja origem é difícil de traçar, mas que conta com mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais. Portugal é um dos países da União Europeia onde a Google bloqueou um maior número de contas ligadas a notícias falsas.


Propaganda
A propaganda é também um dos motivos das fake news. No século XIX, muito antes da Internet, existiam em Lisboa e Porto dezenas de pequenos jornais de circulação modesta que serviam, frequentemente, para lançar suspeitas e acusações sobre adversários políticos. Um modo pouco limpo de fazer política que não era exclusivo de Portugal. Nem George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, escapou a esta praga.
As redes sociais vieram facilitar a propagação desta forma de estar política. Em boa medida porque muitos utilizadores das redes sociais estão pouco interessados na veracidade das notícias partilhadas. Para eles apenas conta, se o título da notícia vai ao encontro das suas convicções pessoais.
A propaganda é inerente à vida política, mesmo em democracia. Mas a propagação de notícias falsas vai além da simples propaganda.


Sátira/parodia
Com origem no jornal Público, o Inimigo Público é, desde o seu começo em papel, um título assumidamente satírico. Hoje, “notícias” da sua versão digital, chegam-nos frequentemente às mãos através do Facebook e muitos dos seus títulos são absolutamente hilariantes.
A partir de uma entrevista à revista Visão, em que Cristina Ferreira assume que “um dia poderia representar todos os portugueses. E não iria falhar”, o Inimigo Público complementa com a notícia de que a apresentadora poderia ser Presidente da República, mas só se Claúdio Ramos fosse primeiro ministro.
É óbvio que se trata de uma história criada para nos fazer rir. Mas é quase certo que, se esta história for partilhada nas redes sociais, há pessoas que vão comentar, pensando tratar-se de uma notícia verdadeira.

Jornalismo à pressa
Nas aulas de Introdução ao Jornalismo, aprendemos que devemos cruzar fontes de informação e certificarmo-nos da sua credibilidade. Mas o tempo escasseia nas redações. Sobretudo numa era em que não há hora marcada para publicar uma notícia. Às vezes, cinco minutos é o tempo suficiente para que outros meios de comunicação publiquem a história que acabou de chegar à redação.
De certeza que já reparaste que, às vezes, chega ao teu mural a mesma notícia, dada de forma muito parecida, por diferentes meios de comunicação social. Ser o primeiro a publicar a notícia, nas redes sociais, gera mais acessos ao site, com tudo o que de bom daí resulta. Mas, como diz o ditado, “de pressa e bem não há quem”.



Como não ser enganado pelas fake news?


Exige alguma prática, mas com o tempo torna-se fácil. Ficam aqui alguns conselhos.


Não te fiques pelo título

Como pudeste ler atrás, muitas vezes os títulos das notícias partilhadas servem apenas para gerar clicks, ou seja, levar mais pessoas a um determinado site. Os títulos podem ser enganadores. Por isso, o melhor que tens a fazer é ler a notícia e seguir alguns dos restantes conselhos.


Avalia quem está a publicar a notícia

Procura informação sobre o site onde a notícia é publicada. Qual é a empresa sua proprietária? Há quantos anos existe? Qual é a sua missão? Quais são os seus objetivos?


Verifica a data de publicação

Às vezes as notícias não são falsas. São apenas antigas. Alguns sites republicam histórias antigas para garantir um número de publicações e acessos aos seus sites. Este tipo de prática pode pôr à tua frente uma história que está desatualizada.


Quem é o autor?

Procura informação sobre o autor da notícia. Existe mesmo? É alguém confiável?


Verifica os links e fontes de informação utilizadas

Muitas vezes as notícias usam links para mostrarem onde foram buscar os dados que estão a noticiar. Clica nesses links e verifica se eles são de entidades credíveis.


Verifica se tem citações ou fotos duvidosas

Quer texto, quer imagem são facilmente verificáveis no Google. Se colares a citação no Google, ele vai listar-te todos os meios de comunicação que a utilizaram. O mesmo acontece com imagens. Se colares uma imagem no campo de pesquisa do Google, ele lista todo os sites em que ela foi utilizada.

Claro que há citações e imagens exclusivas. Mas os meios de comunicação que as publicam são, normalmente, os mais credíveis e reputados.


Verifica se outros meios de comunicação confirmam a notícia

A regra de cruzar fontes também se aplica aqui. Verifica se a notícia é dada por outros meios de comunicação. Se isso acontecer, a probabilidade de ser uma fake news reduz.


É sátira?

Vê se a notícia não foi publicada num site satírico como o Inimigo Público ou o The Onion.


Leva em conta os teus preconceitos

Avalia se os teus preconceitos podem afetar a análise da notícia que estás a ler. Muitas das notícias falsas políticas são partilhadas facilmente porque quem as publica apenas quer amplificar as suas ideias, sem se preocupar se a história é verdadeira ou falsa.


Pensa antes de partilhar

Normalmente, o ato de partilhar uma notícia é imediato. Viste, leste o título, partilhaste. O nosso conselho é que esperes um pouco antes de partilhar. Percorre os 9 passos anteriores e partilha só depois.


No final de tudo isto, o melhor que tens a fazer é confiar em meios de comunicação com elevada reputação - como a tua RFM :)

  • Partilha:

Top