Proibir o TikTok... sim ou não?

O TIKTOK ESTÁ A SER ACUSADO POR VÁRIOS PAÍSES DE PARTILHAR DADOS DOS SEUS UTILIZADORES COM O GOVERNO DA CHINA

Jéssica Santos


Nas últimas semanas, Hong Kong deixou de poder usar o TikTok, a Índia baniu-o, a Austrália diz estar a considerar adotar a mesma medida e o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, acusou a aplicação de "colocar as informações privadas dos utilizadores nas mãos do Partido Comunista Chinês".





"Proibir aplicações é uma medida extrema que não vai ao encontro da lei internacional de direitos humanos”, afirma Peter Micek, especialista em direitos humanos digitais à Vice.


Um porta-voz do TikTok explicou ainda à mesma publicação que a empresa responsável pela aplicação tem centenas de funcionários responsáveis pela segurança e proteção dos utilizadores. "Nunca fornecemos dados dos utilizadores ao governo chinês, nem o faríamos se nos pedissem." Além disso, revelou que a aplicação é liderada por um CEO americano, Kevin Mayer.



No passado, o TikTok já foi acusado de censura política. Feroza Aziz, de 17 anos, fez um vídeo no TikTok, onde usou um alegado tutorial de beleza para expor as perseguições que estavam a acontecer na China.



A jovem viu o seu vídeo eliminado pela aplicação e queixou-se que esta não era a primeira vez que o seu conteúdo era censurado. O TikTok pediu desculpa a Feroza Aziz e disse tratar-se de um erro humano. Um porta-voz da aplicação explicou à BBC que “não modera o conteúdo devido a sensibilidades políticas”.


De acordo com a mesma fonte, alguns dos vídeos da adolescente foram censurados, sim, mas por violarem as regras sobre conteúdos relacionados com terrorismo.


TikTok tem mais sucesso do que o Facebook


O TikTok é a primeira grande empresa estrangeira de redes sociais a ter sucesso nos Estados Unidos. Foi a aplicação mais descarregada em 2019 e a maioria dos jovens usa mais o TikTok do que o Facebook. Por isso, esta aplicação pode vir a ser uma ameaça para as redes sociais como o Facebook, Instagram ou Youtube.


Os problemas que estão a surgir com o TikTok são semelhantes àqueles que o Youtube ou o Facebook já enfrentaram. Estas redes sociais possuem, por norma, um modelo de negócio baseado em anúncios que monitorizam os dados dos utilizadores.
A Política de Privacidade do TikTok refere que os dados dos utilizadores são recolhidos à semelhança de outras aplicações. E trata-se de informações como idade, email, conteúdo publicado pelo utilizador, comentários, informações sobre a localização do utilizador e o endereço de IP.

Ainda não há provas que possam dar as acusações, de que o TikTok está a ser alvo, como verdadeiras. Há casos que acabam por levantar algumas questões e a aplicação tem vindo a defender-se.

Certo é que o Tik Tok está a gerar um forte debate público.

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