"Foi o pequeno-almoço mais importante da minha vida" - Florian Zeller realizador de " O Pai" à RFM

O REALIZADOR DE " O PAI", VENCEDOR DE 2 ÒSCARES, FALOU COM A RFM SOBRE A AVÓ, CENÁRIOS MOVEDIÇOS, PEQUENOS- ALMOÇOS E UMA IDA AO TEATRO EM PORTUGAL

Teresa Lage


O Pai ("The Father”), com realização de Florian Zeller e argumento também de Zeller com Christopher Hampton (um dramaturgo e guionista britânico nascido no Faial), nas salas de cinema com a RFM

Este filme que já recebeu, entre outros prémios, dois Óscares e dois BAFTAS, ambos para melhor ator (Anthony Hopkins) e melhor argumento adaptado (Florian Zeller e Christopher Hampton), foi o também o primeiro filme realizado por Florian, um escritor a dramaturgo francês cujas peças fazem, há alguns anos, sucesso em França, Inglaterra e não só.



Florian Zeller é um romancista, dramaturgo e realizador francês premiado. Já escreveu mais de 10 peças, incluindo “O Pai”,” A Mãe”, “ A Verdade” , “ A Mentira”, “The Height of the Storm” e, mais recentemente, “O Filho” que estreou em Londres em 2019. As suas peças já foram representadas em mais de 45 países entre os quais Portugal. “O Pai” é um dos seus maiores sucessos dos últimos anos e uma das peças mais elogiadas da última década.

“O Pai” é agora o primeiro filme de Zeller como realizador.

Quando começou a pensar na adaptação da sua peça ao cinema, o rosto que não lhe saía da cabeça era o de Anthony Hopkins. Florian tinha desde o início a profunda convicção de que Hopkins seria verdadeiramente poderoso e devastador neste papel…e essa foi a razão que o levou a querer fazer este filme e a fazê-lo em inglês para poder chegar ao ator.

Anthony Hopkins fazia parte do seu sonho e essa foi a razão pela qual deu à personagem principal do filme “O Pai” o nome de Anthony.

Ao saber que o papel tinha sido escrito para si Anthony Hopkins sentiu-se lisonjeado e honrado e aceitou de imediato o convite, mas a rodagem do filme teve de esperar até que Hopkins tivesse disponibilidade para filmar.



A propósito do filme “The Father”, baseado na sua peça estreada em 2012, a RFM falou com este simpático francês de 41 anos, a que o "Times of London" chamou “o mais estimulante dramaturgo dos últimos anos”, recente vencedor do Óscar de "Melhor guião adaptado"

Numa conversa, via Zoom para a RFM, de que podemos ver parte no vídeo já aqui por baixo, Florian Zeller falou comigo sobre a experiência que inspirou “O Pai”, o dia em que viu a peça em Portugal, o cenário que virou personagem, o pequeno-almoço mais importante da sua vida e quem vem depois do “Pai.”


 

A experiência que inspirou “O Pai”

Sobre “O Pai” Florian contou-me que este é um filme sobre um homem que perde as suas barreiras, pode dizer-se que é sobre demência, mas é também a história da sua filha e de como ela tem de lidar com este problema. É uma situação que nos toca a quase todos e Florian viveu algo semelhante.

O dramaturgo francês diz que foi educado pela avó que começou a sofrer de demência quando ele tinha 15 anos, e se encontrou nesta situação de impotência perante o que se passa com as pessoas de que gostamos. No entanto sabe que não foi o único a viver este problema por isso quando escreveu a peça que deu origem ao filme o seu objetivo não era contar a sua história, mas partilhar emoções.

Não queria que “O Pai” fosse só uma história, mas uma experiência vinda de dentro. O que sentiríamos se perdêssemos o rumo. O que quis fazer foi colocar o público na cabeça do protagonista como se estivessem num labirinto a questionar tudo.

Isso acabou por ser catártico porque, depois de verem a peça, e agora o filme, milhares de pessoas quiseram partilhar com ele experiências semelhantes.

Florian Zeller acha que às vezes quando pensamos que somos os únicos a passar por certas experiências, um filme que retrate um problema semelhante pode ajudar-nos a perceber que somos todos iguais.

Esta era a mensagem que queria fazer passar com “O Pai”


Quando viu a peça “O Pai” em Portugal

A peça “The Father” estreou em 2012 e foi encenada em Portugal em 2016, no Teatro Aberto, com João Perry no papel de “O Pai” e Ana Guiomar no papel de Anne – a filha desempenhada no filme por Olivia Coleman.

Florian contou à RFM que, na altura, veio a Lisboa e teve uma excelente experiência. Achou a produção muito boa, o ator muito “poderoso” e que esta foi para si uma oportunidade para conhecer o nosso país. Foi a primeira vez que veio a Portugal e veio com o seu filho, precisamente como “pai”.

Para Florien ver “O Pai” no Teatro Aberto foi algo de muito especial porque não fala português, mas conhece a peça de cor e foi a primeira vez que sentiu que compreendia a língua portuguesa perfeitamente porque percebia cada palavra.

Nesta conversa com a RFM, Florian Zeller aproveitou para dizer que estava muito feliz por saber que os nossos cinemas já estavam abertos porque é francês e, em Paris, isso ainda não acontece. Para si é muito importante ver um filme numa sala e partilhá-los com outras pessoas, com estranhos que deixam de o ser depois de partilharem emoções connosco e esta é uma maneira de nos lembrarmos que não somos estranhos, somos todos iguais.


O cenário que virou personagem

Ao passar a peça para o cinema, Zeller diz que manteve a narrativa da peça, mas quis arranjar uma maneira de nos dar visualmente uma experiência mais imersiva do labirinto.

O que fez foi desenhar o apartamento onde a ação decorre como se fosse uma das personagens e usar as mudanças na decoração, nas cores e nas proporções para desorientar o público.

Para si o cenário era como um labirinto. No início não temos dúvidas que estamos no apartamento de Anthony com as suas coisas mas depois, passo a passo, há pequenas alterações que nos fazem reconhecer o espaço mas começar a duvidar. Percebemos que algo mudou, mas não o que mudou.

Esta foi, para Florian Zeller a maneira de convidar o público a atravessar este labirinto.


O pequeno-almoço mais importante da sua vida

Florian diz que este é um filme divertido e assustador.

Há quem diga que parece um filme de terror…. mas ele acha que é mais assustador porque, nos filmes de terror, sabemos que o que nos assusta não existe e “O Pai” é sobre algo que existe. O fim da vida assemelha-se ao início e isso é assustador e Anthony Hopkins consegue transmitir-nos isso.

Foi por isso que Florian Zeller escreveu este script para Anthony Hopkins, mesmo sem saber se ele aceitaria o papel.

Escreveu porque o considera o maior ator vivo e sabia que Hopkins desempenharia este papel na perfeição. Por isso mandou o guião ao agente do ator e, um dia recebeu uma chamada de um número que não conhecia - era o agente de Hopkins a dizer que Anthony tinha lido o guião e queria encontrar-se com Zeller.

Florian meteu-se no avião para ir tomar o pequeno-almoço com Anthony Hopkins a Los Angeles e diz que foi o pequeno-almoço mais importante da sua vida.

Falaram durante duas horas sobre o guião e sobre a sua ideia para o filme e, no final da conversa, Florian diz que o galês Anthony Hopkins lhe deu um abraço “como os americanos costumam fazer” e disse “Vamos lá fazer este filme”


E depois de “O Pai”

Florian começou a escrever peças a pensar em teatros franceses por isso quando elas começaram a ser representadas em Inglaterra sentiu-se num verdadeiro um sonho – um sonho tornado realidade com a ajuda do toque mágico de Christopher Hampton (co autor do guião do filme “The Father”), um dramaturgo britânico (nascido no Faial) muito famoso em Inglaterra que traduziu todas as suas peças.

Depois, o sucesso das suas produções no West End deu a Florian confiança para arriscar fazer um filme em Inglaterra

“O Pai” faz parte de uma trilogia que inclui ainda as peças “A Mãe” e “O Filho”.

No final desta conversa Florian Zeller confidenciou- me que se tiver oportunidade de fazer outro filme, a peça que gostaria de filmar seria “O Filho” porque essa é a história que gostaria de contar.


 

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