“Depois de me dizerem que era muito feia para publicar fotos, passei um ano a tirar selfies”

MELISSA BLAKE CRIOU UM MOVIMENTO NAS REDES SOCIAIS, DEPOIS DE TER SIDO VÍTIMA DE BULLYING

Jéssica Santos


Desde o ano passado que a rotina da escritora Melissa Blake é sempre a mesma antes de ir dormir: pega no telemóvel, vai à galeria e publica uma selfie nas redes sociais.


É um ritual que lhe traz felicidade e alguns ensinamentos. No entanto, Melissa adverte: “Não comecei esta jornada num lugar de conforto e felicidade. Na verdade, comecei a publicar selfies por um motivo totalmente diferente: para desafiar os haters”.


Melissa Blake nasceu com a síndrome de Freeman Sheldon, uma doença genética rara que lhe afeta a boca, mãos e pés.


Esta síndrome não permite a formação adequada das fibras musculares e impede o seu desenvolvimento. E, por causa da sua condição, Melissa Blake acaba por ser, muitas vezes, vítima de bullying. No ano passado, o seu nome esteve no centro das atenções, depois de ter escrito um artigo, para a CNN, a criticar o Trump. Um youtuber mencionou o seu nome num vídeo e colocou a sua fotografia. Foi o despoletar de vários comentários negativos, relativamente à aparência de Melissa, e um deles marcou-a de tal forma que acabou por ser o mote para criar este ritual que depressa se tornou num movimento viral.


Alguém disse que eu devia de ser proibida de publicar selfies porque era muito feia. Fiquei a pensar naquilo e queria responder de alguma forma. Não diretamente para a pessoa, mas como uma declaração geral.” E assim foi. Durante um ano, Melissa Blake publicou selfies todos os dias nas redes sociais.



Em cada selfie, comecei a sentir-me mais confortável no meu próprio corpo e descobri uma liberdade que nunca senti antes. Cresci a sentir-me diferente (e parecendo diferente) das pessoas da minha idade, o que definitivamente teve um impacto na minha autoestima.


Mais do um movimento pessoal, Melissa Blake quer que haja uma maior representação na sociedade de pessoas com deficiência. “Posso ter começado este ano com selfies para mim, mas depressa percebi que essas selfies não eram apenas sobre mim. Outras pessoas com deficiência disseram-me que se identificaram com as minhas palavras.


Melissa Blake ainda se questiona, por vezes, se deveria de continuar a publicar selfies, mas depois lembra-se que “as pessoas com deficiência têm de lutar para serem vistas e ouvidas”. “Estas selfies são para cada pessoa com deficiência que continua a lutar todos os dias.

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