Afegãos que vêm para Portugal só vão poder trazer uma mulher

OS MILITARES PORTUGUESES QUE ESTÃO EM CABUL SÓ VÃO PODER TRAZER 116 AFEGÃOS

Madalena Costa


No meio do caos e do terror que se vive no Afeganistão, muitos contam os minutos e os dias para conseguirem escapar. Alguns vão conseguir começar uma nova vida noutro país, como é o caso dos afegãos que vão ser recebidos em Portugal.


A Universidade de Évora já se disponibilizou para receber mulheres afegãs e, a par desses refugiados, estão para chegar os tradutores afegãos que trabalharam para Portugal no Afeganistão.


Aquilo que está a gerar algum burburinho é que os afegãos só podem trazer apenas uma das esposas.

A decisão foi confirmada pelo nosso ministro da Defesa, esta quarta-feira, numa entrevista, que afirmou que “os tradutores e intérpretes que trabalharam connosco têm o direito de trazer uma esposa, no caso de haver mais do que uma, como acontece, por vezes, no Afeganistão”.


Por Cabul, estão, entre milhares de afegãos e militares, quatro militares portugueses que levaram uma “lista prioritária” de 116 afegãos que vão ser retirados para Portugal.


Cerca de 20 desses afegãos trabalharam “diretamente para as forças destacadas portuguesas ao longo de quase 20 anos”. As restantes 96 pessoas correspondem a “uma esposa” e “todas as crianças menores” que acompanham os intérpretes.



Esta decisão está já a criar algum alvoroço nas redes sociais, uma vez que os afegãos podem ter mais do que uma mulher e, ao serem retirados, vão ser obrigados a deixá-las para trás, sem qualquer tipo de segurança ou estabilidade.


Perante esta ordem, a presidente da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta contestou, citada pelo Observador, as ordens do ministro João Gomes Cravinho, e dirigiu-lhe a seguinte pergunta: “Quem é que escolhe a esposa a resgatar?”.


Com esta pergunta, Liliana Rodrigues defende que é urgente tirar as mulheres do Afeganistão, uma vez que esta decisão do governo português vai “hierarquizar as vidas, neste caso, das mulheres” e não vai “ter em consideração o aumento da violência” contra elas, que já é uma dura e triste realidade.


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