Pedro Abrunhosa despede-se do pai

DEVIDO À PANDEMIA, PEDRO NÃO ABRAÇAVA O PAI HÁ 2 MESES

Teresa Lage


Octávio Abrunhosa, pai de Pedro Abrunhosa faleceu no Porto, na madrugada de 24 de Maio, aos 96 anos

Natural de Lamego Octávio Abrunhosa era advogado. Além de Pedro teve mais dois filhos: Paulo (já falecido) e Nuno.

A mãe do músico faleceu o ano passado e, sabendo que a separação dos pais, após uma “inspiradora vida juntos”, não iria ser fácil, o músico escreveu na altura, para os dois o lindíssimo ”Pode Acontecer” que cantou em Novembro de 2019 nos seus concertos no Coliseu de Lisboa.



Agora foi ao pai que Pedro não abraçava desde Março, devido à pandemia do novo coronavírus que Pedro dedicou o seu último single “Tempestade “, gravado “em teletrabalho”, com Carolina Deslandes e produzido por Diogo Piçarra .


“Meu pai, não vás da nossa mesa

Não me ensinaste tudo ainda

Esperarei de luz acesa

Conta-me histórias de Coimbra

Foste montanha a vida inteira

Como a distância me incendeia, meu pai

Não vás tão cedo desta mesa”



A propósito da música "Tempestade", queixando-se da falta de contacto físico a que nos obriga a atual situação, Pedro Abrunhosa falou, há dias, ao jornal Blitz sobre a vontade de abraçar o pai, que se encontrava em isolamento social devido à pandemia de Covid-19:

" Tem 96 anos e não o abraço há dois meses. Quanto tempo mais terá o meu pai para ser abraçado?" "é muito duro, sobretudo para ele. Nós ainda temos uma vida ativa, vamos diluindo esse desgosto, mas quem está confinado a um espaço não poder abraçar os outros é tremendo".



Três dias depois do seu falecimento, foi assim que, dia 27 de Maio, Pedro Abrunhosa se despediu do pai, nas suas redes sociais:

"Nunca falei publicamente da minha vida pessoal. Porém ela sempre transbordou para a minha música como um reflexo dos meus passos. Porque editei recentemente ‘Tempestade’, canção dedicada ao meu Pai, venho hoje confirmar a sua passagem na passada madrugada de Domingo, 24 pelas 04:30h. O espectáculo de Sábado, 23, em Ansião, acabou por ser uma homenagem antecipada ao extraordinário homem que foi, ao muito que me ensinou, à Bondade que marcará a minha vida até ao fim. Na impossibilidade de agradecer individualmente, deixo o meu reconhecimento a todos que, antevendo a situação pelas entrelinhas, me saudaram desde então. ‘Não estou só na Tempestade!’ Reinicio as minhas actividades profissionais a partir de hoje. Muita Luz!"


Nesta despedida, a RFM quer deixar a Pedro Abrunhosa um forte abraço!

“Não estamos sós na tempestade”

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